A vida boa do goiano
Liza Roriz 23/10/2012

Amanhã, 24 de outubro, Goiânia completa 79 anos. Sou goiana com orgulho e para comemorar o aniversário, resolvi escrever um pouquinho sobre a vida na cidade.

Goiânia possui 1,3 milhão de habitantes e está crescendo cada dia mais. Entre um de seus principais destaques, está o fato de possuir o maior índice de área verde por habitante do Brasil e o segundo maior do mundo, perdendo apenas para Edmonton, no Canadá. A cidade está cheia de parques, onde os habitantes vão para praticar algum esporte, tomar água de coco ou mesmo para visitar, pois são lindos!

O que mais me agrada na cidade é o clima. Em Goiânia, é verão o ano inteiro. Raramente faz frio e quando faz, estamos falando de no máximo 16 graus. Dezembro e janeiro são os meses mais frescos, quando chove bastante. Setembro é geralmente um dos piores no quesito calor, até para quem já está acostumado. Então para viver bem em Goiânia, ter um ar condicionado ou ventilador é quase essencial.

O céu daqui é fantástico e precisa ser mencionado: disparadamente o mais belo que já vi. Um maravilhoso tom de azul que anima qualquer um a levantar da cama pela manhã.

Como os goianos dizem, para a cidade ficar perfeita, só falta o mar. Mas é aquela história, como não tem mar, vamos pro bar! E que bar? As opções são infinitas. Nos últimos anos, a cidade foi invadida por bares de todos os tipos e para todos os gostos. A maioria está localizada no Setor Marista, numa região que foi apelidada de boulevard goiano. Se estiver com pressa numa noite de final de semana, nem sonhe em passar por lá. São filas e filas de carros parados nessas avenidas, com pessoas tentando decidir aonde irão sentar.

Goiano tem mania de fila: para o lugar ser bom tem que estar lotado a ponto de você ter que quase lutar para entrar. É comum então, ver no Marista, lugares extremamente lotados ao lado de outros sem uma alma viva para salvar, principalmente quando se trata do lançamento de um novo bar.

Em Goiânia, não há nada pior que admirar o convidativo céu azul numa segunda-feira pela manhã, quando você precisa ir trabalhar. Então se aproveita cada oportunidade! Passar um final de semana em Goiânia é certeza de cervejinha gelada, piscina, clube, barzinho, churrasco na casa dos amigos e almoço na casa da avó.

Parque Vaca Brava:

Parque Vaca Brava

Ser goiano

 Ser goiano é carregar uma tristeza telúrica num coração aberto de sorrisos.  É ser dócil e falante, impetuoso e tímido. É dar uma galinha para não entrar na briga e um nelore para sair dela. É amar o passado, a história, as tradições, sem desprezar o moderno. É ter latifúndio e viver simplório, comer pequi, guariroba, galinhada e feijoada, e não estar nem aí para os pratos de fora.

Ser goiano é saber perder um pedaço de terras para Minas, mas não perder o direito de dizer também uai, este negócio, este trem, quando as palavras se atropelam no caminho da imaginação.

O goiano da gema vive na cidade com um carro-de-boi cantando na memória. Acredita na panela cheia, mesmo quando a refeição se resume em abobrinha e quiabo. Lê poemas de Cora Coralina e sente-se na eterna juventude.

Ser goiano é saber cantar música caipira e conversar com Beethoven, Chopin, Tchaikovsky e Carlos Gomes. É acreditar no sertão como um ser tão próximo, tão dentro da alma. É carregar um eterno monjolo no coração e ouvir um berrante tocando longe, bem perto do sentimento.

Ser goiano é possuir um roçado e sentir-se um plantador de soja, tal o amor à terra que lhe acaricia os pés. É dar tapinha nas costas do amigo, mesmo quando esse amigo já lhe passou uma rasteira.

O goiano de pé-rachado não despreza uma pamonhada e teima em dizer ei, trem bão, ao ver a felicidade passar na janela, e exclama viche, quando se assusta com a presença dela.

Ser goiano é botar os pés uma botina ringideira e dirigir tratores pelas ruas da cidade. É beber caipirinha no tira-gosto da tarde, com a cerveja na eterna saideira. É fabricar rapadura, ter um passopreto nos olhos e um santo por devoção.

O goiano histórico sabe que o Araguaia não passa de um “corgo”, tal a familiaridade com os rios. Vive em palacetes e se exila nos botecos da esquina. Chupa jabuticaba, come bolo de arroz e toma licor de jenipapo. É machista, mas deixa que a mulher tome conta da casa.

O bom goiano aceita a divisão do Estado, por entender que a alma goiana permanece eterna na saga do Tocantins.

Ser goiano é saber fundar cidades. É pisar no Universo sem tirar os pés deste chão parado. É cultivar a goianidade como herança maior. É ser justo, honesto, religioso e amante da liberdade.

Brasilia em terras goianas é gesto de doação, é patriotismo. Simboliza poder. Mas o goiano não sai por aí contando vantagem.

Ser goiano é olhar para a lua e sonhar, pensar que é queijo e continuar sonhando, pois entre o queijo e o beijo, a solução goiana é uma rima.

(José Mendonça Teles. Crônicas de Goiânia. Goiânia: Kelps, 1998)

Ser Goiano

Liza Roriz

3 Comments

  1. Ameiiii!
    Concordo com vc, não existe um céu mais lindo do que o nosso! todos os dias eu admiro e comento isso!! bjsss

  2. Lizoca, to orgulhosa de vc e do seu blog, e tambem morrendo de inveja dessa sua viagem… queria um leãozinho tambem!!!
    Aproveita muito e posta bastante coisa qque eu to adorando!
    beijo

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