Apuros em Dubai
Liza Roriz 19/10/2012

Neste post, vou contar uma experiência que tive ao chegar em Dubai. Acho importante compartilhar para que fiquem atentos!

Chegando em Dubai

Viajei para Beijing pela Emirates e, como o voo obrigatoriamente faz conexão em Dubai, aproveitei para fazer o stop over na volta e conhecer a cidade.

Estava com uma amiga brasileira que conheci na China. Chegando ao aeroporto, pegamos as nossas malas e passamos pela imigração normalmente. Quando cheguei na porta que dá acesso a área comum, um policial me chamou e pediu para voltar. Enquanto minha amiga seguia em frente, voltei para saber o que o policial queria: passar as minhas malas no raio x novamente. Existem algumas esteiras com raio x ali mesmo na saída e eles escolhem pessoas aleatórias para passar por lá.

A hora do raio x

Assim que a minha mala foi escaneada, uma mulher a recolheu e começou a abri-la sem nem me falar o motivo. Perguntei o que estava acontecendo e ela agiu como se eu nem estivesse ali.

De repente, após cansar de não encontrar nada, ela me perguntou se eu tinha uma caneta laser e eu disse que sim. Respeitando as ordens da oficial, abri uma mochila que estava dentro da mala que continha todos os meus souvenirs chineses e entreguei o tal laser para ela. Não satisfeita, a moça começou a vasculhar a mochila e tirou praticamente tudo de dentro dela! Eu entrei em desespero, porque ela não me respondia e eu não estava entendendo nada!

 Os bens confiscados

Dentre os meus bens confiscados, estavam:

– 3 canetas lasers (aquelas verdes que alcançam vários quilômetros de distância e são comuns em estádios de futebol)

– 2 caixas de saquinhos de chá chineses;

– 5 micro câmeras de chaveiro no formato de controle de abrir garagens, que além de filmar, tirava fotos (que ela só sabia que era micro câmera porque eu contei na maior inocência);

– 3 cigarros elétricos (na caixa estava escrito: “health cigarette: helping you to stop smoking”);

Assim que a faxina terminou, ela chamou um senhor, que me disse que os objetos eram proibidos no país. COMO ASSIM? Fiquei revoltada e comecei a discutir com ele para tentar entender o porquê disso tudo. Será que eles pensaram que eu ia cegar uma pessoa com o laser enquanto a filmava discretamente, tomando um chá e fumando um cigarro elétrico? PELO AMOR né! Era só o que me faltava!

A sala dos desesperados

Me levaram para uma sala cheia de pessoas revoltadas, como eu, tentando reaver os seus bens. Lá tinha todo o tipo de gente lutando por seus objetos, desde isqueiros até helicópteros de controle remoto hiper modernos (continham câmeras). A pessoa que me atendeu foi a primeira a “me dar bola” e responder as minhas perguntas. Vou detalhar a resposta dela do porquê da proibição de cada item:

– Laser pointer: poderia cegar uma pessoa;

– Chá: possuía alguma substância proibida no país, se não me engano era nozes, sei lá;

– Cigarro elétrico: todo o tipo de cigarro mata (mas se você quiser comprar um na porta do aeroporto ou fumar a shisha em qualquer lugar, você pode)

– Micro câmera: é proibido filmar em alguns lugares e uma micro câmera facilitaria o “crime”. Esse item eu até respeito, dá para entender o lado deles pois envolve a cultura local, mas as minhas câmeras estavam fechadas, lacradas e sem bateria. Poxa, era souvenir para os amigos! Sacanagem…

A minha indignação era enorme e depois de gastar todos os meus argumentos, percebi que não tinha saída. A mulher me entregou então alguns formulários para eu assinar, autorizando a destruição dos meus bens! Imagina que abuso!!! Falei que não autorizava nada e pedi para ir embora e antecipar o meu voo para o Brasil imediatamente! Mesmo com o “piti”, me informaram que não era possível circular pelo aeroporto com os objetos e eu só sairia de lá se assinasse a papelada mesmo. DETALHE: minha amiga que estava me esperando do lado de fora continha o dobro de cada um desses itens em sua mala.

Vencida pelo cansaço, assinei os termos. Porém, levei comigo tudo o que não era proibido: as caixas dos objetos, carregadores e outras peças inúteis. Teria que provar para os amigos no Brasil que eu tinha tentado trazer presente para eles né? Hehehe, não, era pirraça mesmo.

A sala solitária

Ingenuidade a minha achar que estava tudo resolvido. O meu caso era muito mais grave pois envolvia micro câmeras. Encerrando a parte das assinaturas, a mulher “pediu” que eu aguardasse na sala pois alguém viria me buscar. Medo! Algum tempo depois, um policial chegou vestindo o traje típico: túnica branca (chamada de Thoubh ou Jalabiyah) com o lenço Keffiyeh (lenço branco amarrado por uma corda preta na cabeça) e umas sandálias meio franciscanas (?). Ele me levou até uma sala vazia sem janela com uma mesa e duas cadeiras e fechou a porta. O fato de a sala estar vazia me deixou morrendo de medo e antes que eu pudesse pensar, perguntei se ele se importava de deixar a porta aberta. Para o meu alívio, ele disse que tudo bem.

O que aconteceu a seguir foi um interrogamento de três horas onde eu respondi a todo tipo de pergunta possível sobre mim, minha família, meus amigos, minhas viagens, etc. Bom, mas acredito que passei na prova, respondi corretamente as perguntas e ele disse que iria me liberar. Mas não sem me passar um sermão sobre como é absurdo alguém viajar para um lugar sem conhecer as leis locais (concordo em partes, porém é preciso um curso de graduação para saber todas as coisas que são proibidas em Dubai).

O final

Aliviada, fui “libertada” após mais de 6 horas de puro stress e na saída do aeroporto recebi um folheto de Ramadan Kareem (Feliz Ramadã), época em que os muçulmanos jejuam do nascer ao pôr do sol. O folheto avisava os turistas desinformados que, mesmo quem não era muçulmano deveria respeitar a época e não poderia comer, beber, fumar, ouvir música alta ou dançar em locais públicos. Dizia também que o ato era punível por lei através de pagamento de multa e julgamento pelas leis locais.

Furada?

Liza Roriz

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